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Expressões criativas

  • lorenademelo
  • 11 de fev.
  • 2 min de leitura

Na psicologia analítica, o uso de desenhos e da imaginação ativa permite que conteúdos do inconsciente encontrem forma, imagem e movimento, sem serem imediatamente reduzidos à linguagem racional. Trata-se de uma via direta de diálogo com a psique profunda, onde símbolos, afetos e complexos podem se expressar de maneira viva.​

Segundo Jung:

"Faríamos bem considerar o processo criativo como uma essência viva implantada na alma do homem. A psicologia analítica denomina isto complexo autônomo. Este, como parte separada da alma e retirada da hierarquia do consciente, leva vida psíquica independente e, de acordo com seu valor energético e sua força, aparece, ou como simples distúrbio de arbitrários processos do consciente, ou como instância superior que pode tomar o seu serviço próprio Eu. Portanto, o poeta que se identifica com o processo criativo é aquele que diz sim, logo que ameaçado por um “imperativo” inconsciente. Mas aquele que se defronta com a criatividade como força quase estranha não pode, por algum motivo, dizer sim e é pego de surpresa pelo “imperativo”. (Obras completas 15, 2013, p. 76) ​


Ao desenhar, pintar ou dar forma às imagens interiores, o paciente participa desse processo de confrontação simbólica, permitindo que aquilo que antes agia de modo automático e inconsciente se torne visível, pensável e transformável.​ 

Nise da Silveira, ao aplicar a psicologia junguiana no trabalho com imagens, descreve esse mesmo princípio a partir da experiência clínica:

"Se as imagens "a alma da pessoa", entende-se a necessidade de destacá-las tanto quanto possível do roldão invasor. Pintar seria agir. Seria um método de ação adequado para defesa contra a inundação pelos conteúdos inconscientes. (Imagens do inconsciente, 2022, p. 15)​

Para Nise, os desenhos e pinturas não são meras produções estéticas, mas manifestações do mundo interno em processo de reorganização, revelando tanto conflitos quanto potenciais de cura. Assim, na clínica junguiana, o trabalho com imagens — seja por meio do desenho, da pintura ou da imaginação ativa — atua como uma ponte entre inconsciente e consciência, favorecendo a integração psíquica e o avanço do processo de individuação.


 
 
 

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©2020 por Terapeuta Lorena Melo.

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